quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Bolsonaro arregão


Declarei meu voto à Presidência da República aqui neste blogue e, noutra postagem, evidenciei meu interesse por armas, onde compartilhei minha luta burocrática para obter porte de arma de fogo. Ratifico que votei em Jair Messias Bolsonaro porque acredito em menos Estado e mais liberdade individual e, há pelo menos quatro décadas, estávamos num processo coletivista onde o poder público nos tributa na melhor filosofia "desemplumar o ganso sem matá-lo" para abastecer castas cada vez maiores de agentes políticos e seus maçanetas (ocupantes de cargos em comissão e funções de confiança); intrometendo-se nos menores aspectos da vida privada do cidadão mediano. Enfim: uma revolução mansa, lenta e discreta, mediante tributação progressiva sobre renda e patrimônio, conluio com as maiores fortunas nacionais (corporativismo) e doutrinação massificante desde o berçário.

O Brasil não possui "direita" desde os governos militares. As Forças Armadas, positivistas e tecnocráticas, nunca acreditaram em política e abandonaram o terreno ideológico desde o início. O mais próximo de uma direita liberal e conservadora a que chegamos foi consolidada, recentemente, na figura de Bolsonaro, sua legenda e uma dúzia de apoiadores públicos que, realmente, sabem o que é filosofia conservadora e como esse sofisticado sistema de pensamento evita o colapso social, nos blindando de teorias de gabinete. Então nada mais razoável do que votar no único candidato que, há décadas, pode vir a representa um verniz (ao menos isso: leve pintura meio gasta) de direita no Brasil. Contudo, me vejo decepcionado após duas semanas de governo. Embora alguns festejem a edição do Decreto n.° 9.685/2019 sobre aquisição de arma de fogo [íntegra aqui] - que em tese facilitaria o acesso a armamento junto à Polícia Federal - não vejo praticamente benefício algum em seu bojo, considerando que antes da "era lulista" os brasileiros tinham acesso bem mais fácil à arma de fogo, inclusive com registro regional em Delegacias da Polícia Civil e de forma vinculada; ou seja: sem análise discricionária de servidor público algum.

Veja bem: estou me referindo à aquisição de arma, não ao porte. Este realmente merece atenção de requisitos mais rígidos na concessão. Mas a aquisição, de acordo com o novo decreto, ainda mantém a análise discricionária de Delegados do SINARM quanto à efetiva necessidade, de certa forma. E mais: até o momento, nada de aceno do Governo quanto à abertura do mercado e desoneração de tributos sobre armas e insumos. E, em especial, sobre abertura de mercado para munições. Sei que está cedo. Mas o Governo já deveria ter chegado ao Poder com um pacote normativo pronto quanto a vários pontos que podem ser abordados por atos normativos que não lei.

Penso que o passo do Presidente da República foi tímido. Ou melhor: frouxo. Com isso desagrada boa parte de seu eleitorado e, ainda, leva umas bordoadas da mídia progressista por esse ato normativo. Pelo que leio, muita gente está aproveitando essa pseudo flexibilização para descer o cacete no Presidente como o fascistão que, com uma canetada, deu armas para todo mundo de maneira irrestrita. Este Governo se fez com bandeiras como desburocratização da vida privada, menor inferência estatal em assuntos diversos, enxugamento da máquina com cargos, órgãos inúteis e cabides de empregos em geral, reajuste histórico da tabela do imposto de renda que pesa sobre a classe média e, claro, retorno da facilidade em adquirir armas, como sempre o fora no Brasil anteriormente a era fascista do Partido dos Trabalhadores. Com essa atuação inicial frouxa, Bolsonaro demonstra estar com medo da opinião das minorias que defendem desarmamento de cima de seus condomínios de luxo ou, então, estar mal assessorado. Como eleitor e sem ter político de estimação, fico agora aguardando os próximos fracassos do Presidente.

Na cerimônia de assinatura do Decreto n.° 9.685/2019, ficaram registradas ulteriores ações (promessas) quanto ao tema, agora na espera da lei. Francamente, estou cético, pois muita coisa poderia ser feita agora e, como vimos, não o foi.

Fiquemos abaixo ao menos com essas belas bundas!

Até a próxima, brothers in arms.


7 comentários:

  1. E ia falar alguma coisa, mas vi as bundas e esqueci
    Bolsonaro segue como mais do mesmo.

    Aguardando o desenrolar da era bolsomita

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    1. Por enquanto, sim. Exceto pelo viés de defesa ideológica. Aguardo ao menos o reajuste da tabela do IR. Quem sabe...

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  2. Em promessa de político não se confia. Mas vem eleição, vai eleição, todo mundo cai no velho conto de novo e de novo....

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    1. A classe média que o elegeu está de olho. Ele não será perdoado e sabe disso...

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  3. Na primeira vez que li o decreto eu achei que tinha liberado geral. Depois vi as pessoas pró-armamento falando mal. Eu não entendi foi nada. Mudou o que afinal de contas?

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    1. Ao meu ver, nada. Alguns enxergam que, ali, ficou mais difícil o indeferimento em relação à apreciação de efetiva necessidade. Li e reli e não vi nada disso. Pelo menos, concretamente, a renovação de registro foi para 10 anos, ao invés de cinco... Fora isso, realmente não vejo nada de mais.

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