terça-feira, 3 de setembro de 2019

Penny Dreadful, feminismo e MGTOW


Por falar em terror, estou concluindo a terceira temporada de Penny Dreadful e fiquei mais assustado pelos toques de feminismo esquizofrênico (quase redundância, né?) do que pelos vampiros e monstros diversos da trama. Como sabemos, em tramas de horror/terror o feminino sempre tem lugar de destaque. Na verdade, é quase sempre o núcleo da narrativa. Não existiria Drácula sem Mina ou os Cenobitas de Coração Condenado sem o atrito entre Julia e Kirsty, pano de fundo da trama, por exemplo. Mulheres são poderosas por natureza, não precisando de discurso globalista fajuto justamente para lhes tolher a feminilidade em nome de um vago "empoderamento". Não existe família organizada sem poder materno. O alegado "patriarcalismo" pelas feministas é engodo. Uma família se sustenta e prospera sem a figura paterna; sem uma mãe forte, o bagulho degringola. Senti na pele isso. Minha mãe quase destruiu nossas vidas por meros caprichos. Assim, nunca me causou espanto a força da poderosa protagonista Vanessa Ives, encarnada por Eva Green, mais bela do que nunca. A presença forte de Vanessa é natural numa trama de horror. Só que, a partir da terceira temporada, deram ênfase ao progressismo feminista e sexista encabeçado pela personagem Brona (ou Lily Frankenstein), aliada a Justine (saída, creio, da obra homônima de Sade).

Como afirmei acima, é "femismo/feminismo" de dar medo. Lilly começa a reunir uma penca de putas londrinas para matar homens pelo simples fato de serem homens. Ela quer se vigar por ter feito tanto boquete em becos sujos a troco de mixaria, como se a culpa por isso fosse integralmente do mundo machista, e não também pelo simples fato de que ela gostava de ser puta. Justine torna-se outra tresloucada que pretende passar a navalha em tudo quanto é pênis. A analista de Vanessa conta que seu marido era violento, então ela fez bem em matá-lo na cozinha, ao invés de afastar-se do dito cujo ou acertar melhor seu dedo podre para homens. Sufragistas são espancadas pela Scotland Yard, quando na verdade o pleito do movimento era ouvido e o Parlamento masculino deu atenção aos protesto e, consequentemente, o voto feminino às mulheres, deixando para trás o preconceito antiquado e ridículo. Entretanto, esse viés do seriado não deixou as feminazis felizes. É que o criadores nos mostraram uma Vanessa Ives que se espelha em Joana D'arc (espiritualizada e seguidora do cânones ocidentais, ao invés de ser uma mera iconoclasta), cujo único sonho terreno era ser uma mãe de dois filhos ao lado do marido que nunca poderia ter (como vemos do final da segunda temporada). E a dupla Lilly/Justine são evidenciadas como psicopatas, monstrengas de dar medo até mesmo em Dorian Grey. 

Amiúdes: Penny Dreadful continua um bom programa. Espero que continue na TV enquanto o criador e sua esquipe de roteiristas possuírem boas ideias. O mote é interessante: reunir na mesma história célebres personagens da literatura fantástica, como Drácula, Allan Quatermain (na figura de Sir Malcom), Victor Frankenstein e suas criações, Dr.° Jekyll, Dorian Grey, Justine entre outros. Alan Moore desenvolveu isso com maestria na Liga Extraordinária, sem dúvidas. Seu trabalho é incomparável no aspecto literário, erudito e de muita pesquisa vitoriana e cultura popular. Penny Dreadful fica aquém; mesmo assim, serve para entreter com alguma decência. E, agora, com um novo monstro para assustar os mais incautos: o sexismo misandrista e suas ativistas esquizofrênicas.

P.s.: Esta postagem é republicação do antigo blogue, datando de 14 de jun de 2016. Hoje, percebo que não é à toa o crescimento de uma filosofia de vida como o MGTOW (Sigla do inglês para Men Going Their Own Way; em português, Homens Seguindo Seu Próprio Caminho). 

8 comentários:

Fabiano Caldeira disse...

Bom... nem me fale em mãe e seus caprichos. Sobre a série, parece interessante, desde que não tenha aulas de boas maneiras ao extremo como vem acontecendo às vezes. A pessoa quer ver um entretenimento que ela gosta e dá de cara com uma cartilha que ensina como não ser um perigo à sociedade. Como se tudo fosse simples assim. Enquanto isso o governo continua sem fazer muita coisa frente as políticas públicas que garanta segurança e bem-estar e embolsando bastante grana, afinal, agora o entretenimento foi "educado" para nos ensinar.

Blogue do Neófito disse...

É difícil escapar da sanha do politicamente correto.
Abraços, Fabiano!

Pateta disse...

Adorei a primeira temporada. A segunda já dava sinais de que a produção faria concessões para satisfazer um segmento da audiência.
Faz alguns anos que assisti a horrenda terceira temporada. Na época assumi que a pressão sobre os criadores foi grande o suficiente para optarem pela autodestruição.

Scant disse...

"Uma família se sustenta e prospera sem a figura paterna; sem uma mãe forte, o bagulho degringola"
verdade. minha mae morreu e depois de tres anos meu irmao bateu as botas. creio que nao aguentou a pressao

"e vigar por ter feito tanto boquete em becos sujos a troco de micharia" - ingrata

"mgtow" - isso não vai dar certo. vejo o pessoal da real (que é um movimento mais light): alguns mais antigos bebem demais, são solitários e percebem que isso não é o ideal. Creio que para o hetero comum uma boa mulher ajuda. arranjar boa mulher é questão de sorte. esse é o problema. nada contra as putas, mas só ter esse tipo de relacionamento na vida não me parede enriquecedor

abs!

Blogue do Neófito disse...

Não à toa o final repentino pegou a todos de "surpresa".
Renderia mais, se mantivessem o foco no horro/terror.
Mataram a protagonista para encerrar de vez a porqueira.
Abraços!

Blogue do Neófito disse...

Tb penso ser uma escolha de vida excessivamente medrosa.
Mas, claro, os caras têm seus motivos.
Ser homem no ocidente é ser predestinado à trouxa.
Abraços!

Larissa disse...

Eu assisti a série até a metade da segunda temporada e morro de amores por Vanessa Ives. Eva Green consegue ser sempre maravilhosa. Sem contar aquele deck de Tarot que ela usa. Uma vez procurei ele na internet para ver se tinha a venda em algum site já que o meu Tarot de Marselha não é tão belo quando aquele mas o preço era tão alto que desisti. Eu não gostava da personagem Brona, mas não sabia que a série tinha seguido esse caminho de ódio ao homem. É triste quando pegam um movimento que pede igualdade e o transformam nisso, em algo que espalha o ódio ao coleguinha. Entendo que por passar em outra época, muitas mulheres possam ter sido tratadas de forma ruim mas acho que nada justifica você pregar o ódio a alguém apenas por essa pessoa ser do sexo oposto. Saiu totalmente da premissa e olha que gosto tanto da Lily de Frankenstein. Até tenho uma mecha branca no cabelo por conta dela. Esse post me fez repensar sobre terminar de assistir a série. Quanto ao Dorian Grey, tenho que dizer que ele é personagem de um dos meus livros favoritos.

Aqui, minha foto de Lily, pra vc ver que não era brincadeira quando disse sobre o quanto gostava da personagem no original ao lado de Boris Karloff: https://www.instagram.com/p/Bu_cz1VAXyQ/

Abraço,
Parágrafo Cult

Blogue do Neófito disse...

Tb mantive bastante empatia por quase todas as personagens. Não me arrependi de ter visto a série até o final. O que não gostei, cuspi ou tentei digerir meio que à força. Tb mantenho aversão ao sexismo, seja misógino ou misândrico. Vi sua foto e achei linda. Estou te adicionando no instagram. Abraços!

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