sábado, 24 de agosto de 2019

Doutor Sono de Stephen King

Sinopse divulgada de Doutor Sono. Mais de trinta anos depois, Stephen King revela a seus leitores o que aconteceu a Danny Torrance, o garoto no centro de O Iluminado, depois de sua terrível experiência no Overlook Hotel. Em Doutor Sono, King dá continuidade a essa história, contando a vida de Dan, agora um homem de meia-idade, e Abra Stone, uma menina de 12 anos com um grande poder. 
Assombrado pelos habitantes do Overlook Hotel, onde passou um ano terrível de sua infância, Dan ficou à deriva por décadas, desesperado para se livrar do legado de alcoolismo e violência do pai. Finalmente, ele se instala em uma cidade de New Hampshire, onde encontra abrigo em uma comunidade do Alcoólicos Anônimos que o apoia e um emprego em uma casa de repouso, onde seu poder remanescente da iluminação fornece o conforto final para aqueles que estão morrendo. Ajudado por um gato que prevê a morte dos pacientes, ele se torna o “Doutor Sono”. 
Então Dan conhece Abra Stone, uma menina com um dom espetacular, a iluminação mais forte que já se viu. Ela desperta os demônios de seu passado e Dan se vê envolvido em uma batalha pela alma e sobrevivência dela. Uma guerra épica entre o bem e o mal, uma sangrenta e gloriosa história que vai emocionar os milhões de fãs de O Iluminado e satisfazer os leitores deste novo clássico da obra de King.
Daniel Torrance levava a vida entre empregos frustrantes, bebedeiras, brigas de bar e amores de uma noite só, até chegar a uma pequena cidade de New Hampshire, onde durante longos anos vivera em calmaria, com ocasionais manifestações de seu poder. Isso até o dia em que entrará em contato definitivo com a pequena e poderosa Abra e o Verdadeiro Nó (como se autodenominam esses semi imortais). A trupe de nômades precisa da garota para, sob tortura e morte, alimentar-se e sobreviverem por mais alguns séculos. E Daniel entrará em seu caminhos, mesmo que para isso precise remoer fatos dolorosos do passado e, literalmente, libertar demônios trancados a sete chaves. Além de fazer uma breve visita onde, há anos, houvera um certo hotel Overlook edificado.

Durante a leitura da obra, seremos esporadicamente surpreendidos por recordações da adorável Wendy - sua corajosa mãe. O velho e sábio cozinheiro Dick Hallorann também terá seus momentos de presença afetiva e espiritual. Por ocorrências assim, penso que Doutor Sono é um romance destinado apenas a quem já leu O Iluminado. Aliás, a editora pôs à venda box com os dois romances. Fica a sugestão.

O Verdadeiro Nó não tem uma origem explicada. Só sabemos remontar à pecaminosa Babilônia. E talvez seja uma turma até mesmo mais antiga. Gostaria que o autor esmiuçasse mais isso, mesmo sob pena de nos dar um romance volumoso. Gostei bastante dos personagens, especialmente da líder Rose, "A Cartola". Por diversas vezes a imaginei em seu imponente Earth Cruiser de US$ 700.000,00 cruzando as estradas vicinais americanas.

O Verdadeiro Nó seria riquíssimo. Aliás, são pessoas que tiveram séculos para acumular riquezas em pedras, terras e metais preciosos. Num determinado trecho, nos é dito que grandes latifúndios pertencem a conglomerados de empresas de propriedades dos membros. Entre esses latifúndios estariam propriedades como Jerusalem's Lot. É comum em King esse tipo de referência cruzada entre obras. E esta menção a Lot nos dá, ademais, uma ideia do futuro da cidade que se tornou cada vez mais abandonada, após os eventos narrados pelo autor na década de '70: tornou-se um conjunto de propriedades desocupadas que, aparentemente, foi adquirido pelo grupo nômade do Nó.

A Cemetery Dance, editora norte-americana especializada em edições limitadas dos livros de Stephen King, pôs à venda volumes caprichados em várias versões, com ilustrações, capa dura e sobrecapa e até mesmo boxs. Isso até onde pesquisei brevemente. Já a Suma de Letras ainda não abriu os olhos a este filão e continua vendendo apenas suas brochuras, mesmo quando se tratam de volumões com aproximadamente mil páginas, a exemplo de IT e Sob a redoma. A DarkSide Books e a Cosac Naify abriram os olhos para o nicho do livro enquanto objeto para colecionadores exigentes. A Suma - selo da Editora Objetiva - detém a publicação das obras do autor mais vendável do mundo, cujos fãs são uma legião fiel, e mesmo assim ainda dorme no ponto para isso.

Um fato curioso diz respeito à tradução. O tradutor chama-se Roberto Grey. Seria nada de mais, se o nome da Coisa no romance IT - para mim, a segunda melhor obra de King - não fosse Robert Gray, quando não opta por se apresentar como Pennywise, o palhaço dançarino. Até o momento, não sei se Roberto Grey é pseudônimo jocoso ou, realmente, pura coincidência. Também não tenho como comparar a qualidade da tradução com o original, mas há vícios que me deixaram chateados. Encontrei, por exemplo, erros com pronome em construções como "eles queriam ele para", ou traduções diretas para nosso idioma mantendo pronomes que podem ser excluídos diante da concordância verbal, como "eu sou". Assim, também, já pelo final do livro há uma certa confusão com tradução de "Doc" para "velhinho", em razão do famoso bordão de Pernalonga "What's Up, Doc?" e o "doutor" integrante no próprio título. Respeitemos a inteligência dos leitores, Suma.

Abraços iluminados e até a próxima.



2 comentários:

Anônimo disse...

"tradução de "Doc" para "velhinho" - não li o livro e só vi o filme, mas parece que a confusão persiste

o filme também não explica muito sobre o nó e ainda explica menos que o filme (nem parece que eles são tão ricos)

lamentável o fim de Dan: triste um personagem bom ter uma vida e de bosta e uma morte assim (morto em um incendio no hotel)

King não é justo com seus personagens

abs!

-scant

Blogue do Neófito disse...

Não vi o filme, mas sempre deixa a desejar nesses aspectos. É uma plataforma que realmente não suporta tanta informação.

Sobre Dan, no romance ele não morre. Se o mataram, foi só no cinema mesmo. Continua em frente com sua função de Doutor Sono e, ao final, está de bem consigo e tem a oportunidade, aliás, de fazer o bem a seu desafeto. É um final muito bonito, aliás.

Abraços!

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