domingo, 19 de maio de 2019

Malditos Designers e outras publicações da Gato Preto [ Republicação de postagem ]


A editora Gato Preto possui um selo dedicado a HQs e à ilustração, chamado Garabato ("rabisco", em espanhol).  Os preços praticados no site da editora são razoáveis e o frete sai até em conta. Para quem procura conhecer mais da produção quadrinhística nacional - deixando um pouco do mainstream marvete e decenauta de lado - recomendo. Nesta postagem, falaria apenas do livro Malditos Designers, que reúne a tiras divertidíssimas de Rômulo, publicadas há anos no meio virtual. Mas aproveito para compartilhar brevemente outros dois livros editados sob o mesmo selo.

Malditos Designers é um livrinho curioso, no formato quadrado de 13,5 cm, com 200 páginas, capa cartonada com orelhas e miolo em papel tipo offset. O humor é ácido; às vezes, negro. E não poupa ataques ao que há de mais podre no reino dos dizáinês brazucas, por vezes tão cheios de si, com ego maior do que o mundo, vaidosos de seus jóbis hiper-criativos; mas que, na maioria das vezes, se mantém deprimidos no velho quarto que ocupam no apê dos pais, que os sustentam com "empregos de verdade". É uma visão bastante estereotipada de tipinhos comuns no meio das artes gráficas e da publicidade, de certa forma. O objetivo do autor não é ofender. É apenas fazer humor em cima do que mais se destaca no comportamento de um tribo. Já conhecia as tiras publicadas em alguns sites e, agora, possuo essa coletânea para ler e reler quando quiser. Tenho uma prima dizáiner e talvez, um dia, lhe manda uma cópia de presente.

Nas imagens abaixo, também destaco o livro Mulher-de-Sexta, reunindo várias ilustrações de Bernardo França que, durante cem semanas consecutivas, se propôs a desenhar e publicar uma figura feminina diferente em seu blogue. É uma empreitada cujo resultado merece, mesmo, o meio impresso. Recomendo para todos os fãs de desenho em geral. E também para quem gosta de mulher!

O terceiro livrinho é engraçadinho, não mais que isso. O minúsculo Cholitas de Mi Corazón é uma espécie de diário de viagem e sketchbook de Eloar Guazzelli, de quando viajou a La Paz para um evento anual de HQs. O autor nos dá suas impressões de uma pequena parte da Bolívia por meio de textos curtos e, claro, de seus rabiscos rápidos, captando as primeiras impressões visuais do espaço. É um trabalho legalzinho, mas que não deixa de ter seu lado cômico (ou trágico?) no momento em que o artista tenta nos repassar suas impressões políticas. Num determinado momento, por exemplo, diz estar conhecendo o país pela segunda vez. Só que, neste momento, no "caos democrático". Ora, desde o ano de 2006 a Bolívia é liderada por um ditador - Evo Morales - que atropela leis e não respeita nenhuma instituição democrática. Aliás, este cidadão encontra-se no poder até hoje, num claro desrespeito à Constituição daquela nação. Noutro trecho, Guazzelli afirma - em negrito - que "Fascista gostam de ordem, eu não!". Países civilizados com elevado grau de desenvolvimentos político, econômico e social gostam de ordem. Quem gosta de bagunça é "nação" populista subdesenvolvida. Quero ver até onde o autor não gostará de ordem, quando, um dia - talvez - deparar-se com ameaças concretas à sua vida privada, patrimônio familiar ou até mesmo à inviolabilidade de seu corpo ou de seu lar.

Para fechar com chave de ouro, o autor de Cholitas nos diz que "andar por La Paz é uma aventura fascinante: pessoas e veículos disputando ruas estreitas" e "muito sonoras", algo bem diferente do cotidiano "bermudinha-tênis-família-shopping center". Mas... essa deve ser a realidade "pequeno burguesa" do autor. Mas não precisa ir a La Paz para fugir dela. A maioria dos brasileiros está espremida nas ruas, ralando no pardieiro urbano, especialmente nas grandes metrópoles; ou sem "tênis e shopping center" nos rincões deste País, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

Cara, é por isso que me acabo de sorrir quando conheço as "visões sócio-políticas" dos artistas brasileiros. Mas, enfim... Cada uma dessas publicações é muito bacana. Recomendo bastante, especialmente o tijolinho Malditos Designers pelo excelente bom humor em cada página.

Abraços a todos e até a próxima.





3 comentários:

Fabiano Caldeira disse...

O primeiro que você falou é mais minha cara. O segundo também pode ser interessante. Eu sendo gay, digo por mim, também amo mulheres e reconheço-as como gostosas. Acontece que homens me excitam. Nem é o pau. É uma questão de cheiro, voz e hormônios, um conjunto de fatores comportamentais se refletem em identidade visual que psicólogos chamam de sexualidade.

O terceiro eu descarto. Chega de política quando o assunto é lazer.

Blogue do Neófito disse...

Conheços gays q afirmam ter "nojinho" de mulheres e trans. Pura hipocrisia deles. Como vc mesmo afirmou, a forma feminina é bela, queira vc fodê-la ou não.
Não tenho problemas com abordagem política em HQs. Desde que tenha coerência. E não esses ativistas q aplaudem miséria mas vivem no conforto do regime de mercado e em ruas bonitas com parques bem cuidados.

Fabiano Caldeira disse...

Esses gays que falam "nojinho" eu também não gosto, não.kkkk... Não sei o que pensa a maioria, mas eu gosto de ver. Uma vez um amigo me viu com uma revista onde a Ingra Liberato estava nua. Ele quis trocar comigo com uma outra sobre rock (Showbizz). Aí ele veio com o argumento: "ela tá sem roupa, credo! Você não vai gostar." Fiquei magoado com ele, pois ele tinha subestimado minha inteligência. Como a troca era apenas para um ler a revista um do outro (momentâneo, só praquele momento mesmo), aceitei. Eu queria ver a Showbizz. Mas me incomodou a ideia que ele fazia de mim. Eu vi ele rindo pelas minhas costas. Ironicamente, depois disso, ele passou anos vindo à minha casa pra ver fita pornô no meu videocassete. Ficávamos trancados no meu quarto-sala cerca de 2 horas ou mais, sentados no mesmo sofá, e eu nunca nem relei a mão nele. Nem olhava pra ele durante o filme. Eu via aquilo como uma caridade, pois ele era muito mais pobre que eu e não tinha como ver seus próprios filmes.

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