quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Pastoral Americana e o pensamento revolucionário


As campanhas à Presidência de Barack Obama contaram com pôsteres de Milton Glaser que, no fundo, representam muito bem o progressismo. A face estampada do líder político com slogans do tipo "Hope" ou "Forward". Progressismo é isso: clichês, palavras vazias, frases-feitas e lugares-comuns. Como diz Obama, "Avante, adiante". Mas à frente há um abismo onde cairemos. E daí? Adiante, pois o novo é sempre melhor que o velho e, mesmo sob dor, miséria e sofrimento extremo, chegaremos ao "fim da História", como o preconizado por Marx e Engels em seus estudos permeados de paralaxe cognitiva (para recordar Olavo de Carvalho). Aliás, o marxismo é tão frágil que se converte em seu oposto tantas vezes quanto for necessário, desde que se preste ao momento, para fins políticos de tomada e manutenção do Poder. A isso convencionamos chamar de progressismo, diante da falência de vocábulos como "comunismo" e "socialismo".

Saul Alinsky, agitador comunitário norte-americano, tutor ideológico de Obama e Hillary Clinton, acreditou que, para refazer a América à imagem e semelhança de seus sonhos mais sombrios, modificando toda a superestrutura (social, política e econômica), seria relativamente fácil após a parte mais lenta e difícil: ocupar nichos na fonte real de poder, sendo esta a ética judaico-cristã plantada pelos fundadores da nação. E ele foi muito feliz nisto, de onde resultou movimentos como o Weather Underground, por exemplo.

É enfraquecendo unidades como família, comunidade e pequenas empresas que as grandes fortunas podem prosperar junto a agentes políticos e burocratas que aumentaram cada vez o tamanho do Estado para intervir na desordem que, justamente pela constante interferência estatal, nunca terá fim. É isso, basicamente, que está nos bastidores da trama de Pastoral Americana, filme dirigido e estrelado por Ewan McGregor, baseado no romance homônimo do magistral Philip Roth. Na história, Seymour "Sueco" Levovo - fabricante judeu de luvas e adepto de causas sociais nobres - casa-se com a rainha da beleza local e torna-se pai de Meredith, uma garota com problemas de fala que, bem jovem, vê-se consumida pela cultura revolucionária em sua maior efervescência. Aos poucos, descobrimos que a influência de sua terapeuta - esta, associada a movimentos radicais de extrema violência - foi preponderante para isso. Inicia-se aí a derrocada de uma família branca tradicional norte-americana.

Os Estados Unidos, há décadas, são os maiores exportadores de cultura marxista, sobretudo por meio de pautas politicamente corretas made in ONU e sua agências. A chamada contracultura, de origem em pensamentos como os disseminados pelos expoentes da Escola de Frankfurt, foi fundamental para isso, criando monstros sociais como os Black Panthers, "legenda" que, aliás, possui participação discreta - porém, fundamental - na trama de Pastoral Americana. McGregor foi sutil em referência a essa agremiação supremacista e terrorista. Um pedaço de pôster no consultório da psicanalista Sheila Smith é indicativo de contato com os Panteras e, possivelmente, Meredith teria sido vítima de estupro coletivo por eles, quando em fuga. Aliás, os atos de violência sexual dentro dos Panteras Negras eram corriqueiros, especialmente sobre mulheres brancas. Como exemplo, lembro que a grande crise ideológica de David Horowitz - de fundador da new left americana à voz da corrente liberal conservative - deu-se após o brutal assassinato de Betty Van Patter pelo grupo extremista.

No filme, tomamos contato com a psicopatia do pensamento revolucionário. A amiga de Meredith, Rita Cohen, também serve bem a esse propósito. Em todo o seu devaneio radical chic, é apenas uma jovem bon vivant com frases-feitas e pensamentos pré-formados sobre o mal do "capitalismo" e da família tradicional branca norte-americana. Ela vive curtindo a liberdade do regime de mercado enquanto destila mantras leninistas.

O atentado a grocery local, também posto de gasolina e agência postal da cidade, é emblemático. Na ocasião, um trabalhador que acorda cedo todos dias e rala para sustentar a família - sem devaneios utópicos e com os pés no chão sobre o que são a vida e o mundo - vem a óbito. Ele havia acabado de hastear a bandeira em frente ao seu negócio e sua família amargará para sempre este final trágico devido à esquizofrenia revolucionária. E Seymour "Sueco" Levovo verá sua família se desmoronar. No final, como na revolução, só restarão destroços.

Assisti a este filme por recomendação de meu velho amigo Alex Quintas. E o recomendo a todos. Sua passagem pela Netflix foi estranhamente curta. Porém, dá para encontrar no Youtube para locação. Pretendo também ler o romance.

Abraços e até a próxima.

2 comentários:

Scant disse...

boa resenha!

anotei a dica.

abç!

Blogue do Neófito disse...

Venho evitando escrever resenhas genéricas sobre qualquer coisa. Às vezes, perdemos tempo falando muito e não falando nada. Neste caso, abordei o filme apenas quanto ao aspecto do pensamento revolucionário. É um ótimo filme, mesmo! Justamente pelo tema, acho, é que tentaram escondê-lo do mainstream. Abraços, meu grande!

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